
Neste Sábado, conheci mais um dos locais emblemáticos da nossa capital, a Voz do Operário.
Fui em trabalho, mas fiquei maravilhada pelo Edificio, pela História que guarda, mas também fiquei muito triste com a degradação em que se encontra o Edificio, que nos seus tempos Aúreos, devia ter uma grande Imponência.
Deixo-vos algumas fotos tiradas por mim, e a história deste local, retirada do site.

A Voz do Operário
A Sociedade "A Voz do Operário" fundada em 1883 por um grupo de operários da indústria dos Tabacos liderados pelo sindicalista Custódio Braz Pacheco, surgiu na sequência do Jornal do mesmo nome que eles próprios tinham lançado 4 anos antes (1879).
Esta evolução do jornal para uma Sociedade de "Instrução e Beneficencia" teve uma razão poderosa, que era ao mesmo tempo uma constatação evidente: - numa época em que as condições de vida e de trabalho do operários e das classes populares eram extremamente difíceis e, por vezes, degradantes (ausência de quaisquer apoios no desemprego e na velhice, horários de 12 horas em locais insalubres e sujeitos, muitas vezes, a castigos corporais) um periódico, por melhor que fossem as suas intenções e a qualidade da mensagem, pouco ou nada poderia fazer por aqueles que na maioria dos casos não sabiam ler e, mesmo quando tal acontecia, estavam demasiado fatigados para assimilar o que quer que fosse.
Assim, a criação da cooperativa revelou-se acertada começando, rapidamente a dar os seus frutos. Em poucos anos, a pequena Sociedade de bairro tornou-se numa das maiores associações da capital, com infantários, escolas e serviços sociais, servindo milhares de crianças, jovens e adultos.

Para corresponder a este crescimento espectacular, forçoso era dispor de novas instalações. Decidido foi, então, edificar uma sede própria - aquela que todos hoje conhecemos, concebida pelo notável arquitecto Norte Junior, e cuja 1ª pedra foi lançada em 1912 pelo Presidente da República Manuel de Arriaga.
Em 1930, terminado o imponente edifício (a grande guerra de 1914-1918 e suas consequências atrasaram a construção), a sociedade atinge um número recorde de sócios (70 mil). Nas vastas instalações de que passa a dispor fervilha uma actividade intensa. As salas de aula são utilizadas de manhã à noite. Instala-se o ensino profissional e dá-se início a cursos livres de acesso universitário. São criados serviços médicos de várias especialidades, incluindo um consultório dentário.
Os anfiteatros e a magnífica sala de espectáculos são palco de constantes reuniões culturais e artísticas.

Mas é precisamente nesta altura, quando A Voz do Operário está em plena ascensão que a nova realidade política nascida em 1926 e acentuada a partir dos anos 30, vem alterar toda a situação. As associações populares, locais privilegiados da actividade e da expressão livre dos cidadãos suscitam, como não podia deixar de ser, a desconfiança da ditadura que entretanto se instalara. Muitas delas são perseguidas e encerradas.
A Voz do Operário consegue sobreviver a este período difícil devido ao prestigio já alcançado e ao valor dos serviços que continuava a prestar aos seus associados e à população da capital. Mas, neste contexto, a sua acção fica consideravelmente diminuída. As iniciativas culturais e cívicas são praticamente reduzidas a zero e a colectividade passa, quase exclusivamente, a dedicar-se ao ensino e à solidariedade social, sectores em que continua a desenvolver uma acção de relevo.
Por outro lado, o jornal, sujeito a censure, limita-se a relatar o que é permitido e a esperar por melhores dias. A Biblioteca, uma das jóias da casa, e obrigada a retirar das suas estantes muitas obras de grandes clássicos portugueses e estrangeiros, obras essas colocadas no índex do novo regime antidemocratico.
Reencontrada a liberdade com o 25 de Abril, A Voz do Operário recupera a sua tradição humanista e universalista. Os seus espaços abrem-se às manifestações políticas, culturais e artísticas. Pelos seus anfiteatros passam, agora, como no passado, figuras de relevo da vida nacional e a sua grande sala de espectáculos é de novo local de reunião de milhares de pessoas que saúdam a democracia e a liberdade.
Passada esta fase, própria dos momentos importantes que se seguiram a queda do fascismo e as transformações ocorridas desde então no nosso pais, A Voz do Operário voltou ao seu trabalho, às suas actividades educativas, culturais e sociais. Procurando, no fim de contas, com as enormes potencialidades das novas tecnologias e dos sistemas de ensino mais avançados, tornar realidade aquilo com que sonharam os seus humildes fundadores - Construir uma sociedade melhor.
Fotos da minha autoria

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