
Os Moleiros
O pão era o alimento indispensável em todas as casas das aldeias.
As pessoas costumavam dizer: "com pão e vinho, anda caminho".
Quando ele faltava, faltava a alegria e a paz, pois, como diz o ditado: "em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão".
Ele acompanhava toda a comida, até a sopa. por isso, se dizia: "caldo sem pão, só no inferno o dão".
Mais que simples comida, ele era visto como algo sagrado, com foros de culto religioso: se calhava cair um pedaço ao chão, logo era limpo com as mãos e beijado respeitosamente, como se fora o pãop do altar.
Mas, se não havia mesa sem pão, também não havia pão sem moleiro. Por isso, todos tinham o seu moleiro que semanalmente subia das margens do Rio Cordo, onde tinha o seu moinho, e se deslocava a casa dos fregueses.
Aí, depois de uns dedos de cavaqueira, carregava o cavalo ou o jerico com sacos de grão de milho ou centeio, abalava para o moinho e só voltava na semana seguinte com a farinha.
(...)

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