
Roda dos Expostos do Convento de Santa Clara do Desterro, em Salvador (BA)
Hoje recebi um assento de baptismo em que o pai da criança, era exposto....mas logo a seguir vem mencionado os avós paternos como o mesmo sendo filho natural de ambos.
Será que a criança foi exposta e mais tarde os verdadeiros pais apareceram e deram-lhe o nome?
Ou poderão ser os pais adoptivos? mas neste caso pq viria no assento de baptismo em que o pai foi exposto e tendo avós paternos?
O ano deste assento é finais do séc. XVIII
Gostaria de saber a Vossa opinião sobre este assunto.
Será que a criança foi exposta e mais tarde os verdadeiros pais apareceram e deram-lhe o nome?
Ou poderão ser os pais adoptivos? mas neste caso pq viria no assento de baptismo em que o pai foi exposto e tendo avós paternos?
O ano deste assento é finais do séc. XVIII
Gostaria de saber a Vossa opinião sobre este assunto.

7 comentários:
Gustavo Almeida said...
Oi!
O ideal seria transcreveres todo o texto aqui, como comentário, para se poder lê-lo, com a grafia da época.
AnaFundo said...
Olá,
Aqui vai uma parte da transcrição do texto, as partes importantes...o que acham?
No primeiro dia do mês de Abril de mil setecentos noventa e cinco annos baptizou solenemente (...)
Gonçalo (...) filho legitimo de António dos Santos Coelho de Castro e de sua mulher Esperança Balbina, elle filho natural de Gonçalo Coelho de Almeida Castro e de Agueda Maria Ferreira do lugar da Costa, freguesia de Castelans, avós paternos do baptizado (...) o pay do baptizado foi exposto em Santar....
11:24 PM
Gustavo Almeida said...
Hum.
Vamos por partes...
Lembro-me de, em tempos, ter lido uma excelente reportagem sobre os Expostos da Misericórdia de Lisboa e em que eram referidos casos de crianças que eram expostas pelos pais, com o devido sinal, temporariamente, devido a aflições económicas e com a promessa de o voltarem a assumir em fase posterior. Nesse caso poder-se-á ter dado o caso de a criança ter sido exposta devido ao facto de os pais não serem casados e terem dificuldades económicas.
Outra hipotese, mais provável, é a de a mãe ter-se visto obrigada a entregar temporariamente o filho à Roda de Santar pelos alegados motivos económicos, tratando, no entanto, de identificar os pais da criança.
Com efeito, o facto de aparecerem referidos neste assento os nomes dos avôs paternos do baptizando Gonçalo, poderá indiciar que seu pai António dos Santos Coelho de Castro (o filho natural) terá sido exposto com sinal indicativo do nome dos pais e da impossibilidade de estes o assumirem. Será que o avô paterno era casado com outra senhora? Será que era clérigo? Convém ver o assento de baptismo de Santar de António dos Santos Coelho de Castro. Havendo Casa da Roda em Santar, era nessa paroquial que seria baptizado.
12:10 AM
dulce said...
Já que estamos a tirar dúvidas tb me surgiu num registo de casamento uma situação que nunca me tinha aparecido antes. Provavelmente já te deparaste com algo semelhante. O registo menciona, após mencionar os nomes dos nubentes, que "estes tinham em seu poder uma pequena por nome Maria que foi baptizada na Igreja de ... e que confessaram ser sua filha, e então se quiseram habilitar por pais". O baptismo segundo parece foi anterior ao casamento? Nesse caso o que dirá? Filha natural de ..., ou terá ocorrido imediatamente antes do casamento? Já te surgiram casos assim?O q te diz a experiência?
Dulce
AnaFundo said...
Gustavo,
Muito obrigado pelo teu depoimento, pois vai ao encontro do que eu penso do que se passou.
Mas claro, só tendo o assento de baptismo de António dos Santos Coelho de Castro é que posso tirar as duvidas.
E estou desconfiada de uma coisa, pois acho que encontrei o tal Gonçalo Coelho de Almeida Castro, e se confirmar que é a mesma pessoa, tudo se justifica, pois ele seria casado com uma outra senhora, e provavelmente só após a morte da esposa é que pode assumir este filho natural. Mas o tempo nos vai dizer que são os ascendentes deste António.
Ficarei a aguardar o tal artigo...
Obrigada :-)))
AnaFundo said...
Olá Dulce,
Sim, já me deparei com assentos de casamento nessas condições, em que os nubentes declaram que tem filhos anteriores ao matrimónio.
Inclusivé encontrei uma vez um assento de casamento, em que o casal legitimava os 7 filhos que tinham (está registado a legitimação e dando o nome de cada filho, uma preciosidade genealogica do Séc. XVIII).
Provavelmente nesses assentos de baptimos ou aparecem filho de fulana e de pai incógnito, ou então filho natural de fulano e de beltrana...
Temos sempre que confirmar com fontes directas e crediveis.
Bjkas
correa-de-azevedo said...
meu trisavô, Joaquim Correia de Azevedo casado em 22/12/1836 em Vermoim, Famalicão, com Ana Maria Rosa, (exposta), mas os padrinhos de batismos de seus filhos aparecem avós maternos da família Ferreira de Sá. Estes "parentes" aparecem em todos batismos dos filhos e sobrinhos e meus trisavós eram sempre padrinhos de pessoa da mesma família. admariodidi@gmail.com
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