
Tal como anunciei no Post anterior, vou começar a transcrever Usos e Costumes de região de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Aqui vou falar no Casamento e nas Estórias referentes a esta cerimónia.
Textos retirados do livro: Literatura Popular de Trás os Montes e Alto Douro, IV Volume (Miscelânea) por Joaquim Alves Ferreira Ano: 1999
O Casamento, para além do ritual religioso, tem também o seu ritual profano, como o lançamento de arroz, flores e de outras manisfestações folclóricas. Nalgumas localidades, recitavam-se versos, aos quais davam o nome de luas ou loas, aos noivos, onde está bem patente o conceiro de indissolubilidade do matrimónio.
de Nespereira, Cinfães
As amigas dos noivos esperavam o cortejo nupcial à saida da igreja e diziam:
Façam alta, meus senhores,
Façam favor de esperar:
Queremos dar este ramo
A quem vem de se casar.
Depois, voltando-se para a noiva, continuavam:
Aqui tens este raminho
Feito da raaiz dum cravo.
Que Nosso Senhor te dê
Um homem do teu agrado.
Aqui tens este raminho
De flores de avelaneira.
Ainda te hás-de lembrar
Da mocidade solteira.
O laço que te prendeu
Era de seda amarela.
Não o tornes a desdar,
Fica sempre presa nela.
O laço que te prendeu
Era de seda torcida.
Não o tornes a desdar,
Conserva-o toda a vida.
O laço que te prendeu
Era de seda bem forte.
Não o tornes a desdar,
Conserva-o atá á morte.
E rematavam assim:
Viva o noivo mai-la noiva,
Viva o tronco que os gerou,
Viva o padrinho e a madrinha,
Viva o padre que os casou

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