segunda-feira, outubro 31, 2005

Costumes dos Casamentos















Tal como anunciei no Post anterior, vou começar a transcrever Usos e Costumes de região de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Aqui vou falar no Casamento e nas Estórias referentes a esta cerimónia.

Textos retirados do livro: Literatura Popular de Trás os Montes e Alto Douro, IV Volume (Miscelânea) por Joaquim Alves Ferreira Ano: 1999

O Casamento, para além do ritual religioso, tem também o seu ritual profano, como o lançamento de arroz, flores e de outras manisfestações folclóricas. Nalgumas localidades, recitavam-se versos, aos quais davam o nome de luas ou loas, aos noivos, onde está bem patente o conceiro de indissolubilidade do matrimónio.

de Nespereira, Cinfães

As amigas dos noivos esperavam o cortejo nupcial à saida da igreja e diziam:

Façam alta, meus senhores,
Façam favor de esperar:
Queremos dar este ramo
A quem vem de se casar.

Depois, voltando-se para a noiva, continuavam:

Aqui tens este raminho
Feito da raaiz dum cravo.
Que Nosso Senhor te dê
Um homem do teu agrado.

Aqui tens este raminho
De flores de avelaneira.
Ainda te hás-de lembrar
Da mocidade solteira.

O laço que te prendeu
Era de seda amarela.
Não o tornes a desdar,
Fica sempre presa nela.

O laço que te prendeu
Era de seda torcida.
Não o tornes a desdar,
Conserva-o toda a vida.

O laço que te prendeu
Era de seda bem forte.
Não o tornes a desdar,
Conserva-o atá á morte.

E rematavam assim:

Viva o noivo mai-la noiva,
Viva o tronco que os gerou,
Viva o padrinho e a madrinha,
Viva o padre que os casou

Sem comentários: